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Reflexões sobre nosso universo pós-moderno e nossa cultura adicta: que cultua e incentiva drogas

Todo ser humano possui necessidades fisiológicas básicas tais como: ele precisa respirar, beber, se alimentar, dormir, manter seu equilíbrio térmico e hídrico e precisa também eliminar suas toxinas através da evacuação.

Mas o ser humano para ser integralmente saudável e feliz precisa de mais: ele precisa se aceitar e se sentir aceito e precisa amar e se sentir amado.

Estas quatro necessidades afetivas são em minha opinião, a causa dos inúmeros sofrimentos vividos, das dificuldades nos relacionamentos e dos sintomas expressos nas patologias físicas e psíquicas atuais.

Ele sofre pela ânsia de precisar de afeto, porém muitas vezes é inábil para pedi-lo, sofre pela falta de amor-próprio e de respeito, os quais busca resolvê-los consumindo compulsivamente, ou através de dietas irracionais, jogando excessivamente, consumindo bebidas alcoólicas ou outras drogas, lícitas ou ilícitas, enfim através de ações alienantes e que buscam aliviar o sofrimento e a dependência afetiva.

Todo humano é único, assim como será única à via de expressão de seus sentimentos. Desta forma, os objetos de compulsão aparecem como metáforas de afeto.

Existem em nossa atual sociedade diversos aspectos que estimulam uma cultura de dependências: uma cultura orientada para evitar a dor. Como por exemplo, os problemas de má digestão que são resolvidos com medicações, ou de uma dor de cabeça originada por uma situação de stress, é imediatamente medicalizada, sem qualquer questionamento sobre a origem do mal estar; o estímulo à crença de soluções fáceis para qualquer transtorno, as famosas pílulas mágicas, soluções estas que acabam excluindo a responsabilidade do indivíduo na busca de recursos mais efetivos, duradouros e saudáveis.

Vivemos em uma sociedade voltada para a superficialidade, a rapidez, a beleza a qualquer preço, para um individualismo, a competição e da “falsa e rápida felicidade” obtida através de bens materiais que possui tempo e prazo de validade

O paradigma sistêmico reafirma nas questões referentes ao uso indevido e abusivo de drogas, o lugar, o papel e a corresponsabilidade da família como instituição que elabora as relações primárias de socialização tanto de crianças quanto adolescentes e adultos.  Falando aqui sobre a adolescência um período do ciclo vital, em que a curiosidade por experiências novas, a troca e a influência do grupo de amigos são fundamentais, muitas vezes o uso de drogas se inclui como fonte de socialização e como uma linguagem do adolescer, e quando acontece de forma abusiva, constitui-se num problema que pode repercutir em todo o processo posterior da vida do jovem.

Embora a atenção do adolescente esteja voltada para fora do lar e centrada nos grupos, para compreendê-lo torna-se necessário inseri-lo no contexto familiar e sociocultural, pois a família nuclear e extensa é que fornece as bases para seu desenvolvimento. É na família que deve ser assegurado os comportamentos normalizados pelo afeto e pela cultura. Por isso, a família é fundamental na prevenção e no tratamento do uso de drogas.

Entende-se aqui por família, alguém que se importe, e que possa acolher do ponto de vista social, psíquico e afetivo.

O pensamento sistêmico compreende os comportamentos aditivos, como um estado de submissão e dependência com restrita vontade, e busca decodificar as causas disfuncionais em todo o contexto familiar.

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